Postado por : Vitor Pontel quinta-feira, 4 de outubro de 2012




Você tem seguro? No mundo de hoje, a maior chance é que você responda sim. Na intenção de se proteger de problemas, muita gente faz seguro. Do carro, da casa, de vida, de morte.
Sim, de morte também.
Descobri recentemente, enquanto lia algo totalmente não relacionado: há pessoas procurando algo bem parecido com um seguro de morte: serviços que garantam a elas um tipo específico de morte, caso for do desejo do cliente.

Uma opção para quando não se tem opções

Quanto mais passa o tempo, maior a probabilidade de termos problemas de saúde. Ficamos velhos, as coisas deixam de ser tão fáceis, e o nosso histórico começa a assustar. Vemos pais, avós e parentes começando a sucumbir. Lembramos, nem sempre com tranquilidade, que em breve seremos nós.
O que resta aos que estão ao redor é oferecer palavras de conforto. A pessoa deixa de viver naturalmente e vive à base de aparelhos e da boa vontade de quem se dispor a cuidar. Cuidados esses que se tornam cada vez mais intensos, acarretando numa preocupação geral de quem está por perto.
Como se sente a pessoa que está ali, doente, consciente ou não, com limitações motoras? Quais seus medos? Qual será o peso de ser um fardo tão grande para aqueles que em outros tempos estiveram aos seus cuidados? Não é impensável que algumas pessoas, em uma situação assim, prefiram partir logo e sossegadamente.
O seguro de morte serve para garantir a execução dessa vontade.

Por que não?

Instituições como a Dignitas, na Suíça, são especializadas nisso: fazer você morrer. Se você quiser.
A mecânica não é complicada: o segurado paga para se inscrever, depois, na hora que quiser acionar o seguro, paga mais uma taxa (em torno de R$ 15.000,00, segundo matéria da revista Época) para que o levem até as instalações. É administrado um composto de barbitúrico, de gosto supostamente amargo — apesar de ser diluído em água. Dentro de alguns minutos a pessoa começa a ter sono. Dorme. E não volta.
Por uma quantia extra, a empresa ainda pode cuidar de todos os processos envolvidos na morte de alguém, para que a família não precise se incomodar nem mesmo com enterro ou cremação.
Para não ter problemas com a justiça, a empresa passa a informação que apenas preparou o coquetel, que foi tomado, por vontade própria, pelo então falecido. O cliente deixa registros escritos ou gravados, no quais deixa completamente claro que, de sã consciência, quer de fato que isso lhe aconteça.
A matéria que li apresenta algumas informações interessantes:
>> Entre 1998 (data da sua fundação) à 2011, foram 1.298 mortos.
>> A Dignitas possui 6.261 sócios ativos, e um número que chega perto de 5.000 pessoas pagantes, sendo a maioria de nacionalidade alemã.
>> O Brasil aparece com 10 pessoas pagantes.
Existem hoje no Brasil algumas formas legais para fazer um atalho para o fim:
>> Ortatanásia, que seria simplesmente a não-prolongação artificial da vida de um paciente, deixando que a morte ocorra naturalmente.
>> Eutanásia voluntária, quando o paciente insiste na sua vontade de encerrar a vida antes da hora, por estar sofrendo demais. Este método não é legal no Brasil, mas em certos casos pode ser batalhado e autorizado judicialmente.
Existe um certo fator reconfortante em saber que, para aqueles que sentirem que a sua jornada chegou ao fim, existe essa opção. No entanto, não gosto de me posicionar a favor ou contra.
Qual a sua opinião? Você consegue se enxergar usando esse recurso? E se alguém da sua família fizesse essa escolha, qual seria sua reação?

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